Os russos estão a trocar a vodca pelo vinho, o que é uma boa oportunidade para aumentarmos as exportações para um de 142 milhões de consumidores e melhorar o saldo na balança comercial entre os dois países, que nos é altamente desfavorável e não pára de se degradar – em Junho, a taxa de cobertura era de 18,6%, contra 22,4% no final do 1.º semestre de 2010.

Na última década, a economia russa tem crescido de forma imparável, melhorando as condições de vida dos seus habitantes, que têm cada vez mais dinheiro no bolso para gastar e querem aproximar-se dos padrões de consumo ocidental.

“O vinho começa a ser consumido como um acto de cultura por quem tem emprego e ambições na vida”, diz Igor Sherbatov, presidente da Associação de Sommeliers de Sampetersburgo e director da Escola de Vinhos Sommelier.

Os letreiros da Zara, H&M, McDonalds e Subway que se sucedem ao longo dos 4,5 quilómetros da Nevskiy Prospekt, a avenida de Sampetersburgo mais famosa da Rússia, são a prova da tendência russa para imitar os gostos e o estilo de vida ocidentais.

“A Rússia é o país do mundo onde se bebe mais álcool, sendo a tendência para o consumo se deslocar da vodca para a cerveja, com bastante impacto nos jovens, e para o vinho, sobretudo na classe média”, explica Maria José Rézio, a directora do AICEP em Moscovo, que esteve na semana passada em Sampetersburgo a apoiar a Portugal Market Week, uma mostra de vinhos e produtos gourmet promovida pela AEP e a ViniPortugal.

Engenheira e doutorada em Microbiologia, Maria José explica que o mercado russo é sexy para os exportadores de vinho porque a produção local é insuficiente em qualidade e quantidade e o consumo tem aumentado, em média, 8% por ano – de 2009 para 2010 o crescimento foi de 30%.

Fonte: dinheiro vivo