Dia 18 de Setembro, 7h30 e já estávamos na velhinha vinha da família, situada nos Cabeceiros, freguesia de Freixianda em Ourém. Foi há 40 anos que o meu avô José Maria iniciou a produção de vinho, desde sempre consumido pela família. Já foram, eram 3 vinhas, hoje é apenas esta e acima de tudo é um encontro familiar.

Quando nos reunimos somos quase todos enólogos de banco, e a conclusão dos tais ainda sentados à mesa, é sempre a mesma. Magnífico para uns e bebível para outros. Continua a ser o mote para muitos episódios ébrios, sempre com moderação.

Em Setembro desde que me recordo, vivi na azáfama das vindimas, a preparação das pipas, o adocicado e agradável aroma da chegada das uvas ao lagar. Há alguns anos só a minha falecida avó, insistia para que a tradição se mantivesse o que tem acontecido, mas muito diferente de outros tempos.

O cuidado com a vinha já foi outro mas o processo de vinificação continua a ser o mesmo há muitos anos, depois das uvas cortadas, são transportadas para o lagar. Já na casa da minha avó, as uvas são desengaçadas, pisadas e o mosto é colocado nas pipas. A parte do enchimento é da minha responsabilidade, técnica que tenho apurado a alguns anos, já tive 3 (cerca de 800 litros) à minha coordenação, mas de momento estamos reduzidos a uma.

Sobre o vinho, falarei num próximo episódio, certamente após a degustação em mais um momento familiar. As uvas pareceram-me um pouco ressequidas, por curiosidade fazemos sempre a “pesagem” do volume provável de álcool que é de 18 graus. O néctar continuará a ser dos deuses, mas esta família há 40 anos que não faz milagres.

A viagem no vinho continua…