À semelhança do ano anterior, as adegas do Tejo voltaram a abrir as suas portas. A iniciativa, da responsabilidade da CVR, incentivou os produtores durante o fim de semana de 8 e 9 de Setembro a receber visitantes. O sucesso das edições anteriores repetiu-se com centenas de pessoas a degustarem os vinhos do Tejo.

Escolhi a Adega do Catapereiro, propriedade da Companhia das Lezírias, que desde 1836 se dedica à produção vitivinícola. A CL explora uma das mais vastas áreas agrícolas a nível nacional e o objetivo desta visita era satisfazer a curiosidade histórica.

Sair de Lisboa em direção a Vila Franca de Xira, atravessar a ponte Marechal Carmona e embrenhar-me nas Lezírias, percorrendo a reta do Cabo. Ao chegar ao Porto Alto seguir em direção a Alcochete, um percurso simples que acabei por complicar com uma passagem pela sede da empresa em Samora Correia e com um desvio não programado ao complexo equestre da companhia das Lezírias, o que motivou um longo atraso à hora inicial prevista de chegada.

Acabei por perder o longo passeio de trator entre florestas e vinhas, mas compensei no regresso. Apesar do atraso, graças à boleia do Marco, fui ao encontro do grupo que já se preparava para vindimar. O entusiasmo dos adultos, absorvidos pela folhagem das cepas em busca dos Cachos de Castelão, a casta mais representativa desta adega, é quase tão grande como o das crianças que correm a encher os cestos para gloriosamente mostrarem aos pais os frutos do trabalho.

A simpatia contagiante do enólogo Bernardo Cabral orientava o grupo e dava azo às curiosas perguntas dos menos familiarizados com as práticas agrícolas e vinhateiras. As tradições seculares cativam cada vez mais curiosos na busca dos remotos saberes.

Já em cima do atrelado, podemos observar uma pequena fatia dos cerca de 130 hetares de vinha que brotam do solo arenoso, protegidos por enormes eucaliptais. Somos sobrevoados por numerosos bandos de estorninhos que por vezes escurecem os céus numa melancólica e compassada dança antes da bicada final. Os ávidos petizes são gulosos devoradores de bagos de uva.

Na adega impera o aroma a mosto, resultado da fermentação das uvas brancas que já ocupam as enormes cubas de inox. Bernardo, demonstra com as suas mãos as etapas de produção de um vinho, replicando artesanalmente os modernos processos industriais, cativando os curiosos olhares que seguem os movimentos do jovem Enólogo.

Aproximamo-nos da hora de almoço e na Loja de vinhos encontramos a mesa preparada com algumas iguarias da CL. Bernardo orienta a prova de vinhos, apresentando os primeiros mostos de 2012, servindo depois o vinho branco “Catapereiro Escolha” e finalizando com o tinto Companhia das Lezírias 2008, um harmonioso final para uma manhã nas Lezírias.

Não consegui saciar a minha sede de história da companhia das Lezírias, que era o meu objetivo inicial, embora compreenda que fosse um pouco difícil pela heterogeneidade do grupo, mas ficará certamente para uma próxima oportunidade.

Destaco a simpatia com que fomos recebidos e a sempre pronta disponibilidade. Mais uma iniciativa dos vinhos do Tejo que valoriza e aproxima produtores e consumidores.

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Notas de Prova: