Bucelas, pequena vila portuguesa do Município de Loures, cuja atividade económica continua a ser predominantemente agrícola. O vinho da casta Arinto é uma das mais valias e a distância de 30 minutos de carro fora da hora de ponta para Lisboa, tornam esta vila diferente.

A história de Bucelas e do vinho está ligada às invasões francesas e à resistência Luso-Saxónica liderada pelo General Wellington. Este período da nossa história está bem retratado no filme “As Linhas de Wellington”  (de momento, ainda em exibição). Fica também a sugestão de visita ao “Centro de Interpretação Linhas de Torres” situado no futuro museu do vinho da vila.

Em termos vínicos, o que há a destacar é que o general regressado a Inglaterra, serviu o vinho de Bucelas a Jorge III. O Rei, após ter bebido do Lisbon Hock, designado por Shakeaspeare em algumas das suas peças, ficou curado de doença grave como por milagre. Dizia-se que o vinho de Bucelas era o verdadeiro néctar dos deuses. Os factos desta história, foram romantizados para lhe dar um cariz mais misterioso.

Em 1911 é criada a região demarcada de Bucelas. Em 2008 com o compromisso de promover e valorizar o Arinto de Bucelas é constituída a Confraria do Arinto  (o enorme “gap” temporal é assumidamente desrespeitoso pelos outros gloriosos eventos que aconteceram na vila, por uma questão de síntese apenas referimos estes).

No passado fim-de-semana a vila celebrou mais uma Festa das Vindimas. O ponto de maior interesse foi o desfile etnográfico que representa os momentos e o percurso do vinho, desde o bacelo ao copo. As imagens falam por si.

O que mais nos fascinou foi que a protecção da cordilheira onde impera o Monte Serves, tornam evidentes os contrastes entre a agitada vida urbana e a pacatez rural. Se a distância em quilómetros é mínima, em qualidade de vida é imensa. Vindos de Lisboa entramos num mundo diferente, um mundo verde, em que o ar é mais puro, os passarinhos cantam entusiasmados e os carros de bois atravessam a vila.

Não tenho ideia do tempo que precisaríamos para chegar a Lisboa na hora de ponta numa carroça puxada por uma parelha de bois (e infelizmente o google não tem essa opção), mas fica o desafio para fazermos a viagem um dia destes.

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