Os vinhos, “como todo o sector agrícola, podem contribuir muito para a saída de Portugal da crise”, disse a ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, em declarações à Lusa, à margem do evento “Descoberta dos Grandes Vinhos”. A governante lembrou que nos últimos dez anos o sector agrícola aumentou as suas exportações em 10%, quase o dobro do crescimento registado em todas as exportações gerais, na ordem dos 5,4%.

“O Governo foi sensível e manteve o IVA [dos vinhos] na taxa intermédia”, recordou a ministra, salientando que esta medida é “fundamental para dar músculo às empresas portuguesas, que exportam 30% da sua produção”. De acordo com a governante, “a economia portuguesa pode crescer centrada nas exportações, virando-se para fora” e o sector dos vinhos está “no centro dessa estratégia”. Os vinhos nacionais estão a penetrar em cada vez mais mercados internacionais, destacou Assunção Cristas, que afirmou que este produto é reconhecido como tendo “excelente qualidade”.

Uma das medidas de apoio ao sector – que é, nas palavras da ministra, “um sector vivo e interessado em continuar o caminho da internacionalização” – passa também pelo ProDer (Programa de Desenvolvimento Rural). Este apoio foi reforçado este ano em 38 milhões de euros, disse Assunção Cristas, uma forma de “ajudar quem aposta num sctor estratégico”. Questionada sobre o futuro da Casa do Douro, cujas dívidas ascendem a 110 milhões de euros, a ministra assegurou que “com muita brevidade” serão apresentadas “soluções”.

O objectivo é, referiu, perceber de que forma a Casa do Douro se pode “organizar e desempenhar melhor o seu papel” e “como é que o Estado se pode ressarcir das dívidas”. O encontro “Descoberta dos Grandes Vinhos”, em Lisboa, foi promovido pela distribuidora Heritage. Um dos vinhos em destaque no encontro foi o Scion, um vinho do Porto de 1855, descoberto pelo enólogo da empresa na vila da Presegueda (Peso da Régua), disse à Lusa Paulo Cunha, responsável da distribuidora. Uma vez que é anterior à devastação causada pela filoxera nas culturas europeias entre os anos 1860 e 1870, este vinho mantém “uma complexidade aromática e uma frescura que é muito difícil de encontrar”.

 

Fonte: Diário de Noticias Online por Lusa