Setembro é um mês de celebração nas vinhas. Por todo o país, são colhidos os bagos de uva que mais tarde resultarão no tão apreciado néctar. Os métodos manuais e rudimentares de produção e colheita foram substituídos por processos tecnológicos e mecanizados, que permitem vinhos de qualidade superior através da celeridade e controlo da fase de produção ao engrarrafamento.

Aproveitando a iniciativa “Adegas de Portas Abertas” da CVR Tejo, no dia 10 de Setembro, visitamos duas adegas históricas, que também fazem parte do projecto Wine Experiences, de manhã o Casal Branco e de tarde a Casa Cadaval, a seguir partilhamos e retratamos este dia no Ribatejo.

Vindos de Lisboa, chegamos por volta das 10h00 ao Casal Branco, quinta pertencente à família Cruz Sobral desde 1775, um pequeno-almoço composto por produtos típicos da região, aguardava-nos no espaço onde funciona um Wine Bar, bar de apoio à realização de degustações para pequenos grupos, o sol convida a um café na esplanada antes de iniciarmos a vindima, agora com forças reforçadas.

Depois da breve descrição da Filomena, pulamos para o tractor em conjunto com o simpático grupo de finlandeses e alemães que iriam participar nesta visita. Na curta viagem até às vinhas, pudemos observar a extensão dos campos agrícolas desta região do Ribatejo. Ao chegarmos às uvas da casta castelão, a uva tinta mais cultivada em Portugal, foram distribuídas as tesouras de poda. A visível ansiedade ao descer do tractor, não deu tempo para grandes perguntas e depressa deixamos de ver as cabeças entre as parras em busca dos cachos amadurecidos.

Para o grupo era a primeira vez que teriam contacto com a actividade de vindimar. Em pouco tempo tempo entre sorrisos e algumas poses para fotos, encheram os cestos e energicamente ajudaram a carregar a pequena carrinha que lotada seguiu para a adega.

Regressados no imponente tractor até à quinta, despejamos os cestos, os bagos foram separados dos engaços e seguiram para os lagares de pisa. Já perto da hora de almoço e ao som do corridinho tocado num acordeão, aproximamo-nos da sala de prova, a receber-nos estava  David Gomes, que iria orientar a prova de vinhos, na mesa já nos esperava azeitonas, queijos e enchidos da região, provámos 3 vinhos: Terra de Lobos Branco 2010, das castas Fernão Pires e Sauvignon Blanc; Terra de Lobos Tinto 2009, da casta Castelão e Cabernet Sauvignon e Falcoaria (2008), das castas Castelão, Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Petit Verdot. Os vinhos muito apreciados entre o grupo, caracterizavam-se pela juventude e maturidade, sendo que o Falcoaria impressionou os entusiastas, que teceram simpáticos elogios.

Seguimos para a Casa Cadaval, uma herdade situada em Muge (margem esquerda do Tejo) que desde 1648 pertence à família Álvares Pereira de Melo, a quinta foi adaptada às exigências do mercado em 1989, tendo sido realizado investimento na sua modernização para maior competitividade e qualidade dos seus vinhos. Para além da produção de vinho a propriedade cria equinos.

Tendo a vindima sido realizada na semana anterior à nossa visita, o Jovem Enólogo David Ferreira explicou o processo de selecção das uvas e de produção do vinho, bem como algumas das experiências que tem vindo a realizar. O seu entusiasmo foi cativante e guiou-nos pela adega pelo percurso das uvas, da zona de recepção, aos tanques de maceração, às cubas de inox e às barricas de carvalho.

 

David confidenciou que usam o processo de Batonnage, o que permite que os vinhos tenham um melhor amadurecimento. Apesar de jovem tem a flexibilidade de colocar nos vinhos o seu cunho pessoal e tivemos o privilégio de a provar algumas das suas experiências directamente da barrica.

 

Na entrada da adega respiravam os vinhos que tivemos oportunidade de provar: Padre Pedro Branco 2009, das castas Aragonês, Cabernet Sauvignon, Merlot e, Trincadeira; Padre Pedro 2009 – Reserva, das castas Touriga Nacional, Alicante Bouschet, Merlot e Trincadeira; Monocasta Pinot Noir 2008.

Terminamos a visita na loja de vinhos onde podemos adquirir algumas das referências da Casa Cadaval e observar alguns dos prémios atribuídos. A quinta possui ainda uma antiga adega hoje adaptada para salão de eventos e que ainda possui algumas das antigas barricas usadas, um picadeiro e um pequeno cais no Tejo.

Agradecemos ao Jovem Enólogo e a Silvia Feio que nos guiou nesta visita e regressamos a casa.

Cruzando o Tejo na histórica ponte Rainha Dona Amélia, atravessamos os campos agrícolas de Muge e pelo caminho espreitamos a Aldeia Avieira de Palhota. A aldeia situada à beira do Tejo na povoação de Reguengo é uma das últimas aldeias de pescadores artesanais da zona ribeirinha a norte de Lisboa. “Um aglomerado de casinhas de madeira erguidas sobre estacas, à maneira das palafitas primitivas, que desta forma se defendiam das cheias cíclicas do maior rio português” (Alves Redol). Abandonada pelo restam apenas alguns barcos fundeados e não é aconselhado passear no cais de madeira apodrecida.

Foi assim o nosso dia no Ribatejo, vindimando experiências e descobrindo uma região que abraça o Tejo, caracterizada pela produção agrícola, pelo caminho encontramos gente simples e simpáticas, sempre prontas a receber e a servir quem a visita.

Um brinde com vinhos do Tejo a este nosso Ribatejo!